sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Francisco Cândido e o poema A Tamarineira

Francisco Cândido e o poema A Tamarineira

Nesta sexta-feira(04), vamos republicar os belos versos do poeta potiguar Francisco Cândido, intitulado a Tamarineira, em referência ao pé de tamarindo do Hospital Universitário Onofre Lopes, no bairro de Petrópolis  em Natal. 

A Tamarineira *
Poeta Francisco Cândido

A tamarineira está cansada!
Caule enrugado pelo tempo
E pela força árdega do vento
Sem alento, parece sufocada.

Sem o aconchego de seu gueto,
Entre paredes envelhecidas,
Se alimenta de seivas empobrecidas
E seu manto foi ficando preto.

Está só no meio da multidão
De vidas, sofridas, amadas...
Amedrontadas, febris, descarnadas,
Lutando para destrancar o coração.

Como o enfermo ela quer viver,
Renovando esperanças no amanhã
De um dia a vida plena reaver
Na aurora suave da manhã.

Ah, Se ela soubesse falar!
Diria as matas e florestas
Do desafeto de vidas insertas
Impossibilitadas de adejar.

Quer em sua sombra acolher
Vidas na exegese de seus sonhos,
Às vezes frágeis e tristonhos,
Ante a realidade que se busca reverter.

No espaço da dor dizível,
À custódia de minha “escutatória”.
Escrevo, com sangue, essa história
De vida, de morte, livre e visível.

Sou a referência silenciosa
Da espera que não tem fim.
A dor e o desejo estão em mim
Até nos momentos de troca afetuosa.

Na doce magia das letras,
Escrevo essa poesia écloga
Na pequenez dessa saga,
Sem diálogos e retretas.

 *Essa é minha homenagem à tamarineira existente no interior do Hospital Universitário Onofre Lopes - HUOL /UFRN, agosto de 2008.

Via RN EM REDE

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